7 de outubro de 2011

Saudades do tudo.


   Ah, mas que saudades de tudo. Quando digo tudo, é no sentindo literal e completo da palavra. T-U-D-O. Tudo que vem do senhor, que era o meu tudo. Ops, ainda é. Ouvi dizer que quando alguém parte, ela passa a viver em nosso coração. E acredito fielmente nisso, não sinto presença mas sim conforto.
 
   Como assim, conforto? - alguém me pergunta... Conforto, eu sinto quando choro de saudades. Conforto quando parece que estou no fim do poço. E principalmente, me sinto confortada quando tenho de ser fote, simplesmente porque a vida me obrigou a isso. Obrigar é uma palavra forte, usaremos então, me induziu.
 
   E isso tudo que sinto, dói. O coração dói, os olhos ardem e você tem de chorar baixinho, para que não te ouçam, para que não se preocupem com você. Amadurecer, crescer, encarar problemas sem muitas soluções, parece impossível de se suportar... mas como disse, sou confortada. O coração acalma, a respiração volta ao normal e os olhos param de chorar.
 
   Ah, mas que saudades do teu abraço, do seu cheirinho tão único, do jeito que seu dedão da mão era inchado e afundava quando se apertava. Sua mão segurando a minha para atravessar a rua.
 
   Sinto falta de como o senhor reclamava quando eu amassava a sua camisa de botões. Sinto quando me acordava mentindo as horas e do cheiro do chá de morango todas às manhãs. Sinto até quando ouvia seus passos preguiçosos se arrastando no corredor. E do seu ronco barulhento à tarde, e como segurava o controle enquanto fazia isso. Segurava-o tão forte que nem mudar de canal eu poderia, até dormindo dominava a tv à si.
 
  E as suas piadas ruins? Todas piores que as outras, mas me faziam rir. O silêncio da viagem de carro, e como segurava minha mãe enquanto esperávamos o sinal abrir, da sua pergunta: "Dormiu bem, filha?". É, eu sinto muito a sua falta, tanta que as vezes me sinto até anestesiada.
 
  Sinto saudades das poucas coisas, das pequenas coisas, e dos segundos tão preciosos que eram de um sorriso e uma risada alta. Estou com saudades do seu "Eu te amo muito." e eu respondendo "Eu te amo mais.". Ai quanta saudades, mal cabe dentro de mim.
 
  Aparece para mim nos meus sonhos? Só para eu matar um pouco dessa saudades... Só para conversamos um pouquinho sobre carros e história sobre guerras? Só para eu te abraçar, ouvir sua voz, nem que seja alguns segundos, por favor?
 
  Como sou boba, não? Vou esperar, o tempo que for, e ficar nas minhas lembranças, um pouco, mais um pouco. Nem sinto que as lágrimas caem, simplesmente, se vão e rolam pelo meu rosto.
 
  Faz isso passar? Olha por mim? Cuida de mim? Papai, eu não se eu quero crescer. Você não tinha me dito que era tão complicado assim...
 
  Eu te amo, muito. É maior que o meu espírito, maior que o universo, maior que a minha saudades, papai.

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