A noite estava fria por consequencia da neve que caía lá fora. O clima do inverno de Karakura não estava normal desde o ano passado, e parecia que só estava piorando a cada dia.
Já passara da meia noite e Rukia ainda não conseguira dormir. Antes de dormir estava com tanto sono que se sentasse no chão dormiria no assoalho frio em segundos... mas quando finalmente deitou, perdeu completamente o sono e agora só se divertia com a sombras que os flocos de neve faziam na janela, implorando mentalmente que eles a deixassem sonolenta.
Mas isso não acontecera.
"Droga..." Resmungou virando-se no colchão. Arrumou as costas e se pôs a fitar o teto branco. Tedioso e branco... perfeito para lhe trazer o sono. Mas novamente não aconteceu. A baixinha já estava desistindo de pegar no sono quando ouviu passos se arrastando no corredor.
Automaticamente encostou as costas no travesseiro, um pouco assustada, afinal, não era sempre assim que acontecia nos filmes de terror? Uma garota indefesa dentro do quarto. Um assassino, ou um zumbi vingativo, se arrastando no corredor pronto para comer o seu cérebro com garfo e faca.
Os passos que se arrastavam aumentaram conforme os segundos passavam. Seu coração parou na boca. A unica porta depois do quarto de hóspedes onde estava tentando dormir, era a dos pais de Ichigo... E os dois já estavam dormindo há um bom tempo.
Sentiu perder o ar quando sua porta rangeu lentamente, sendo aberta completamente e mostrando uma figura alta e particularmente sonolenta. Rukia tapou um grito, os olhos arregalados e assustados.
"O que raios está fazendo aqui?!" Rukia se controlou para não aumentar mais o tom de voz. Conseguiu ver o rosto do ruivo por causa da claridade da rua, mas mesmo assim fitá-lo na escuridão ainda estava confundido-a.
"Eu não estava conseguindo dormir..." Falou entrando no quarto lentamente, coçava os olhos a todo instante.
"E isso é problema meu?!" Perguntou tentando recuperar os batimentos cardíacos. Depois daquele susto o resto que tinha de seu sono tinha ido para o espaço.
"Me dá um espaço..." Pediu já subindo na cama de solteiro.
"Espaço? O que você está pensando? Que vai dormir..."
"Sim, com você. É isso mesmo que eu estou pensando, idiota." Falou com sono demais para se sentir irritado, ou deixar que a irritação de Rukia o deixasse nervoso.
"Ei!" Reclamou alto, tentando empurrar Ichigo para longe. Mas isso não impediu que ele deitasse entre suas pernas, repousasse a cabeça no seu colo e a abraçá-la. "Ichigo!" Urrou entre os dentes, ameaçando em se levantar, em vão. Continuou na mesma posição e se encontrou prisioneira na própria cama. "Por que você não abraça um ursinho? É bem mais proveitoso..."
"Um urso não tem um coração..." Respondeu lentamente, os olhos fechados, e a respiração no mesmo compasso que a da morena.
"Essa é a graça..." Falou com os braços perdidos ao seu lado. "Não ter um coração e nem respirar."
"Na verdade, isso faz perder toda a graça." Ichigo ainda tinha os olhos fechados e falava lentamente. "Enfim..."
Ela não sabia dizer se já havia passado segundos ou minutos. Mas só agora estava se dando conta de que o ruivo estava abraçado à si, e daqui a pouco iria se render ao sono... E só naquele instante se dera conta de que estava admirando seu cabelo laranja se movimentar conforme sua respiração. Ele estava perto demais, mais do que os dois consideravam normal.
O perfume amadeirado dele já embriagara seu quarto completamente, de uma forma ou de outra, não tinha muitas escapatórias.
"Você também não estava conseguindo dormir?" Ele perguntou a surpreendendo. As suas mãos estavam coçando para mexer em seu cabelo. Sua cor era tão curiosa, até na escuridão de uma noite de neve.
"Uhum..." Respondeu. Suspirou um pouco mais fundo e ergueu as mãos, e para não se arrepender em poucos segundos, permitiu tocar-lhe os cabelos.
"Você quer que eu durma mesmo, não é?" Ichigo falou em um tom divertido.
"Idiota..." Xingou-o sem parar o cafuné. A outra mão livre acabou em cima das costas dele. Como havia dito, não ia ter saída.
Os dois se calaram e novamente perdeu a noção do tempo. Ichigo relaxara e sua respiração já estava calma, provavelmente dormira facilmente. Já, Rukia, não soube exatamente quando pegou no sono. Só se dera conta de que o que acontecera de madrugada fora real quando acordara com o ruivo na mesma posição de antes. Um sorriso preencheu seus lábios e a pergunta do "por que dele ter ido deitar com ela" ficaria para mais tarde... Mal ela sabia que o relógio,que apontava exatamente 01h01m, respondia à sua pergunta com um simples verbo: Ama-te.