31 de outubro de 2011

Colina dos desolados.

Deve ser saudades acumulada no peito.
Daquelas que doem e são contínuas
não param a nenhum instante
e ferem até a alma.

Provavelmente é o que eu tenho sentindo.
Simplesmente saudades.
Que de simples não há nada.
Tão complexa quanto a gravidade.

Lágrimas e mais lágrimas
engolidas pelo orgulho e pela necessidade de ser forte.
E nesse ciclo vicioso
me escondo em uma redoma de aço.

Talvez eu seja mais forte do que aparento.
Talvez eu tenha a consistência de uma gelatina.
Talvez eu seja tudo isso
e mais um pouco.

Feita de fases.
Complexidade aos poros,
sensibilidade aos olhos,
choro às razões.

Limite ultrapassado,
saudades já transbordando aos olhos.
Razão explodindo os neurônios
e sanidade está em falta.

Impulsiva e desentendida.


Larissa Cavalcante.



26 de outubro de 2011

Palhaços ou atores?



A brisa estava forte, e o sol batia sem piedade na minha pele coberta de protetor fator cinquenta. Meus olhos estavam doendo por causa da luz e um mínimo de sombra era aceita com sorrisos aleatórios.
Entre pensamentos bobos, vagos por assim dizer, via as pessoas passarem por mim. Velhos casais, novos casais, pessoas solitárias e crianças e seus mundinhos.

Dei um passo à direita e me deparei com uma trupe. Assim, no meio do calçadão da praia, uma espécie de cenário improvisado suportado por bicicletas, reparei que um rapaz de shorts preto, com um nariz de palhaço, dizia um roteiro de forma tão natural que me fez parar.

Fui para o meio das poucas pessoas e assim, os assisti. O rapaz com o nariz olhava as pessoas nos olhos, e eu não era uma excessão, eu via a sua alegria por estar ali. Por estar no meio da rua, por ver as poucas pessoas que pararam e ficaram ali e sorriam das piadas bobas, os tombos falsos, ou nem precisava de falas.

O tempo passou e eu nem reparei, o sol de pondo e eu ali, assistindo o cara do shorts preto com seus amigos, que também usavam um nariz de palhaço... O que me cativou, o que me fez ficar ali foi o jeito que ele olhava para todos, olhando nos olhos e se alongando, demorando, falando com a pessoa... mesmo sendo um simples roteiro, mas olhando nos olhos, eu não era uma excessão.

Definitivamente, eu fiz o certo em ter saído de casa, fugido da confusão, ir em busca do que quero, mas é segredo... se não, eu não teria visto o cara tão cativante e seus amigos. Virei as costas com o sorriso no rosto, não ia embora por que queria, e sim porque devia. Estava ficando tarde...

E assim que virei as costas, ouvi o cara do shorts preto dizer, simplesmente encaixando a fala no roteiro: "Não se vá!". Gargalhei, dei um aceno e voltei a caminhar. Não dá para levar tão a sério alguém que está com uma bola vermelha no nariz imitando um leão que lixa as unhas. Voltei para casa sorrindo, lembrando do que ele dissera e o amor com que ele fazia aquilo. Fazer as pessoas rirem, e atrair pessoas por causa de seus narizes.

Estou feliz por ter parado e visto o amor nos olhos dos palhaços, ou atores? Ambos. Vou levar isso para a vida inteira...

17 de outubro de 2011

Simplesmente sentir.



Quero pessoas de verdade, daquelas que sentem, não apenas dizem e mentem. Apenas sentem e conversam pelo olhar. Há palavras para descrever cada um desses olhares, mas não para descrever o que realmente sentem. Não, só pensamos que há um jeito, porque simplesmente alivia, mas não descreve totalmente.
O vocabulário português chega a parecer pequeno, quando se há um turbilhão de sentimentos.

Ah, eu quero pessoas de verdade. Pessoas com muitos defeitos, defeitos a transbordar e doar. Defeitos imensuráveis. Por que? Porque são as pessoas que mais sabem, mais vêem, ouviram e não duvide, são as que mais tem cicatrizes. Cicatrizes que provavelmente ainda não fecharam, e outras que sararam por saber crescer, seguir em frente e aprender a deixar para trás.

Como eu adoro pessoas! E engraçado, quando digo isso, às próprias pessoas, elas me encaram, pelo susto, as sobrancelhas erguidas e os olhos curiosos e me perguntam: Por quê?
Em alto e bom som respondo: Simplesmente por sentir. Pessoas sentem ódio, mas ao mesmo tempo amor (Amizade está entre os mais belos amores). Pessoas sentem mágoa e ao mesmo tempo compaixão.

Pessoas são contraditórias consigo mesmas. Algumas. Outras nem tanto. Mas esse que é o mais divertido e curioso em ser humano, nós sentimos.

10 de outubro de 2011

Last chance.

Talvez seja isso. É, com toda a certeza. Eu fiz curso superior em mentir meu estado emocional... ao menos àqueles que me conhecem pouco, acho, não tenho certeza.

Meu caro, não sei ao certo o que irei dizer aqui, mas não sei dizer ao certo se estou bem. Quero chorar, mas simplesmente não posso, não dá, não entre esses metros quadrados.

Oh, droga. Seja lá o que estou sentindo, mas é um vazio incomodo.

7 de outubro de 2011

Saudades do tudo.


   Ah, mas que saudades de tudo. Quando digo tudo, é no sentindo literal e completo da palavra. T-U-D-O. Tudo que vem do senhor, que era o meu tudo. Ops, ainda é. Ouvi dizer que quando alguém parte, ela passa a viver em nosso coração. E acredito fielmente nisso, não sinto presença mas sim conforto.
 
   Como assim, conforto? - alguém me pergunta... Conforto, eu sinto quando choro de saudades. Conforto quando parece que estou no fim do poço. E principalmente, me sinto confortada quando tenho de ser fote, simplesmente porque a vida me obrigou a isso. Obrigar é uma palavra forte, usaremos então, me induziu.
 
   E isso tudo que sinto, dói. O coração dói, os olhos ardem e você tem de chorar baixinho, para que não te ouçam, para que não se preocupem com você. Amadurecer, crescer, encarar problemas sem muitas soluções, parece impossível de se suportar... mas como disse, sou confortada. O coração acalma, a respiração volta ao normal e os olhos param de chorar.
 
   Ah, mas que saudades do teu abraço, do seu cheirinho tão único, do jeito que seu dedão da mão era inchado e afundava quando se apertava. Sua mão segurando a minha para atravessar a rua.
 
   Sinto falta de como o senhor reclamava quando eu amassava a sua camisa de botões. Sinto quando me acordava mentindo as horas e do cheiro do chá de morango todas às manhãs. Sinto até quando ouvia seus passos preguiçosos se arrastando no corredor. E do seu ronco barulhento à tarde, e como segurava o controle enquanto fazia isso. Segurava-o tão forte que nem mudar de canal eu poderia, até dormindo dominava a tv à si.
 
  E as suas piadas ruins? Todas piores que as outras, mas me faziam rir. O silêncio da viagem de carro, e como segurava minha mãe enquanto esperávamos o sinal abrir, da sua pergunta: "Dormiu bem, filha?". É, eu sinto muito a sua falta, tanta que as vezes me sinto até anestesiada.
 
  Sinto saudades das poucas coisas, das pequenas coisas, e dos segundos tão preciosos que eram de um sorriso e uma risada alta. Estou com saudades do seu "Eu te amo muito." e eu respondendo "Eu te amo mais.". Ai quanta saudades, mal cabe dentro de mim.
 
  Aparece para mim nos meus sonhos? Só para eu matar um pouco dessa saudades... Só para conversamos um pouquinho sobre carros e história sobre guerras? Só para eu te abraçar, ouvir sua voz, nem que seja alguns segundos, por favor?
 
  Como sou boba, não? Vou esperar, o tempo que for, e ficar nas minhas lembranças, um pouco, mais um pouco. Nem sinto que as lágrimas caem, simplesmente, se vão e rolam pelo meu rosto.
 
  Faz isso passar? Olha por mim? Cuida de mim? Papai, eu não se eu quero crescer. Você não tinha me dito que era tão complicado assim...
 
  Eu te amo, muito. É maior que o meu espírito, maior que o universo, maior que a minha saudades, papai.