30 de setembro de 2011

Confortável.



Eu adoro ouvir histórias de amor, mas amores reais, daqueles que só o destino consegue mesmo bolar algo tão complicado e tão precisamente perfeito. Precisamente errado, um errado que deu certo. É, eu gosto de ouvir esse tipo de história, onde há sim um final feliz para cada um.

Absurdo imaginar que tem gente que se desespera só de pensar nisso. Fica triste, e ilude-se em algo bobo e vão. Nem sempre aquele alguém será o seu "errado que deu certo", quando o seu errado chegar, você vai saber... lá no fundo do seu coração, que mesmo que as estradas da vida lhe separem, um dia, esses dois caminhos vão voltar a se cruzar.

Ou o nome disso é esperança?

Talvez seja um pacote de tudo que inclui-se no destino. Muita gente não crê no destino. Opinião é de cada um, mas as vezes parece um absurdo não acreditar que nossos caminhos são traçados precisamente, sem faltar nenhum detalhe. Erros para se aprender. Erros para se repetir e nunca mais pensar em voltar a cometer. Tropeços e mais tropeços. O que seria da vida sem aqueles problemas que não saem da nossa cabeça? Boa? Sim, mas tediosa.

Ah, destino, tramando coisas mirabolantes e sem sentido. Não estou cobrando de ti, sou uma garota pacientes, mas quando voltará a me fazer surpresas boas?

28 de setembro de 2011

Chore, garota. Chore.

    
  Chore, garota, chore enquanto o futuro está distante. Chore todos esses mares dentro de ti, deixe debrulhar-se nesses seus medos, os jogue para fora! Grite, esperneie, reclame e xingue, mas principalmente, chore. Deixe essas lágrimas mancharem seu rosto, deixe o seu nariz parecer um tomate de tão vermelho, deixe seus olhos ficarem inchados como se tivesse levado um soco... certo, muito bruta a comparação, não será para tanto... apenas levemente inchados.
Mas depois de chorar, não esqueça, pegue o seu pincel e com algumas básicas pinceladas, maqueie esse rosto choroso. Calma, não é pelo fato de ter vergonha de ter fraquejado, (afinal, ninguém é feliz o tempo todo) é somente para evitar perguntas. Há perguntas que são incomodas de responder, chatas e sinceramente, muitas eu não saberia responder. Um exemplo? Se me perguntassem "Por que você chorou?"... amigo, o máximo que eu saberia seria: tudo; e o mínimo: não faço idéia.

26 de setembro de 2011

Chuva em Calçoene.



Olá, ainda é setembro? Sim, ainda é setembro e essa chuva ainda não parou. Se já não me bastasse a quantidade de água que meu corpo sustenta, há uma tempestade em meus pensamentos. Chuva, trovoadas, turbulência em pequenos aviões. A água não sei de onde surge, há um deserto em meus olhos, e uma Calçoene* no coração. Chuva e chuva. Quer fazer parar? Tem como fazer parar além de mim? É uma boa questão, sem dúvidas. Mas talvez eu não queira me mover, espero ser resgatada, espero cair no buraco onde caiu Alice. Erros, não grandes, mas continuam sendo erros.Ah, se eu tivesse feito tudo diferente, como seria agora? Se eu tivesse tido coragem de continuar, de ter encarado com peito, estaria chovendo neste momento? O mundo se move em perguntas, enquanto eu me afogo com as minhas. Adeus, está na hora de partir. Já comprei a passagem para bem longe, a única dica que darei é um lugar quente, quem sabe o sol queira evaporar toda essa chuva, não?"



*: Calçoene é a cidade mais chuvosa do Brasil. Ela fica no Amapá e bem, lá chove demais. (jura?)

Amor e Caos com Caio Fernando.

asteróide vindo de Amor e Caos:



"Não quero lembrar. Faz mal lembrar das coisas que se foram e não voltam. 
(...) Agora já passou. Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que podia ter sido diferente."

Caio F. em Onde Andará Dulce Veiga?

22 de setembro de 2011

Namore uma garota que lê.


Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos. Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa.

Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas. Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua.  Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.Compre para ela outra xícara de café.  Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor.

Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.  É que ela tem que arriscar, de alguma forma.Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas  garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype. Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito.

Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.  
    


Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

Preciso colocar minha opinião sobre? É, também acho desnecessário.

18 de setembro de 2011

Uma promessa para as estrelas.


(Everything - Lifehouse)

Esperando a vontade de fazer algo, ela caminhou até a janela já aberta. Um brisa gelada e calma soprou em seu rosto, algo típico em uma madrugada de segunda-feira. Ela suspirou junto com o vento, cansada do sentimento que invadia seu coração, cansada daquela vida. Somente a grade separava ela da imensidão da paisagem que enxergava. 

E assim, pensando e olhando para o asfalto que não lhe mostrava nada interessante, mas a brisa lhe soprava tão refrescante que ficar ali parecia um convite muito confortável, e assim o fez. Calmamente, refletindo e batalhando em um conflito interno, os olhos quase negros olharam para o céu.

Sem estrelas, as nuvens esbranquiçadas tomavam a hora em que as estrelas brilhavam mais. Triste de ver apenas nuvens tediosas, preguiçosas e sem forma, olhou novamente para o asfalto que não lhe mostrava nada de bom. 

E assim, uma garota brasileira, estava pensando em inglês. E dos pensamentos, abriu a boca, como em um sussurro, em um diálogo consigo mesma, começou a falar. Em inglês, fulo e ainda infantil, reclamações e filosofias vãs. 

"He is alone, you are not." Falou enquanto via um mendigo cantar, carregando um travesseiro enquanto sobia a rua. Descalço, sujo e sozinho. 

A garota se sentia só. Rodeada de gente, mas sozinha. Sentia como se estivesse perdendo sua essência, seus objetivos... Falava o tempo todo "I need change this. On really, I need be somebody first.". E pensando nisso, conversando com Deus, seu Pai, seu próprio cérebro, fez uma promessa à única estrela que via entre aquelas nuvens preguiçosas.

Fez uma promessa, e iria cumprir. Sua esperança estava por um fio, mas ainda sim, com um robe preto e os olhos tristes, prometeu. 

Passou alguns minutos cantarolando, e durante isso teve uma idéia. A idéia que tanto precisava, a que tanto procurava, a que precisava começar de uma vez... Por que não começar um livro? 

Ela sorriu. Ainda sentia aquele maldito sentimento, mas o que poderia fazer além de mudar? Ela sorriu porque irá mudar, irá conseguir o que quer. Pode não aparecer agora, nem até o final do ano, mas quem disse que ela está com pressa?

13 de setembro de 2011

Bobagens.



Ultimamente tenho pensado em muitas besteiras. Besteiras positivas, mas as besteiras negativas tem me "invadido" um pouco mais. Não tenho como evitar, na realidade tenho, mas tem um momento que chega a ser tão 'automático' que nem pensamos na consequência. Pelo menos não no começo.

Mas resolvi pensar e desfiz a armadilha que fiz para mim. Inconscientemente, é claro. As vezes queremos tanto algo, tanto que queremos que seja depressa e nem vemos que iríamos cair no próprio -e falhado- plano.

Pois é. Quantas bobagens tenho pensado. Tanta bobagem que tenho ficado boba, abobada. Sinto que paro para pensar em bobagens para preencher um vazio, preencher a minha definição de certo, o tal perfeito. E toda vez que caio na realidade, me pergunto porque me deixei cair tanto desse jeito.

Por quê?

São tantas perguntas. Tantas dúvidas. Tantas dúvidas em cima das bobagens. Oh, droga de filosofia vã. Deveria parar de colocar em prioridade coisas inúteis e que me fazem mal, do que algo que realmente importa... meu futuro, quem sabe?

Prometo que irei parar com essas bobagens. Me ajude, alienígenas? Aceito uma carona no seu asteróide para a galáxia mais próxima, ou qualquer outro planeta que você esteja à caminho.

7 de setembro de 2011

Monotonia.



Posso dizer que estou tranquila. Coração tranquilo, não vazio, mas com as cicatrizes já cicatrizadas.

Sem ninguém para pensar, nem para palpitar, estou bem assim. Escrevendo minhas fanfics, começando meus contos... tentando estudar, me ligar um pouco no mundo e fincar um pouco os pés no chão. Acho que o "fincar os pés no chão" é tão difícil... gosto tanto do meu mundinho.

Mas o tempo está passando e tenho que pegar uma nave, ou pegar uma carona em um asteróide para me ligar que estou na Terra e ver que não posso simplesmente fazer as coisas "na coxa", como diz minha querida Cris.

A única coisa que estou sentindo falta é dos meus livros, passar horas e horas no meu cantinho, parando as vezes para tomar um chá ou um café. As vezes até um biscoito para besliscar, compulsiva e gordinha, o que mais posso fazer? Estou sentindo falta de mergulhar nas palavras, sentir tudo que está escrito e simplesmente voar, imaginar...

Equações? Orações Subordinadas Adjetivas, Substantivas e o camelo e suas corcundas?

Não sei se nasci para prestar atenção à essas coisas. Mas é preciso. Sempre tem o "mas", "contudo", "todavia".

Vou deixar esses pensamentos tão complexos para depois, meus neurônios não são lá muito funcionais, não foi explodí-los pelo menos até eu fazer o ENEM ou qualquer outro vestibular... Deixa isso para depois.

Agora vou organizar as coisas, ouvindo uma boa música e esperar para dar boas gargalhadas.