14 de agosto de 2011

O que realmente vale.



"Antes que anoiteça, eu quero encontrar uma razão." Ele dizia a si mesmo. Olhava para o relógio da parede cada cinco segundos, esperando, que algo iluminasse sua mente e explicasse a razão para tudo aquilo.

Estava sozinho no quarto, jogado naquela cama tão bagunçada quanto um ninho de rato. Os olhos vidrados na janela que mostrava o pôr do sol, não queria que anoitecesse.

A noite o tranquilizava do mesmo jeito que o angustiava. O cegava, mas o silêncio acalmava sua mente. Bufou e olhou novamente para o relógio, do que adiantaria contar os minutos se a cada dia o sol se punha atrasado?

"Antes que aconteça o pior, eu preciso de uma explicação." Murmurou com o coração vazio. As palavras jogadas ao vento, desejava uma explicação, mas assim que encontrasse as respostas, o que faria? Ia atrás de mais perguntas? Iria partir mais seu coração pisoteado? Não.

"Não..." Ainda negava, olhando o sol se por tranquilamente. Como parecia que ele havia perdido o chão? Sentia que se descesse daquela cama, iria cair de um abismo, sem fim, sem fundamento... era exatamente isso que sentia.

Vazio, algo sem fim, sem ao menos conseguir tocar o chão. A realidade era tão pesada e constante que nem mais parecia ser real.

"E se eu voltasse no tempo?" Perguntou para o sol que estava se despedindo, deixando apenas uma camada rosada nas nuvens acima de si.

"Não, não valeria a pena. Pelo jeito era para acontecer exatamente isso, mas porque eu me sinto anestesiado?" Novamente se perguntou. Perguntas ramificadas, vindo da outra pergunta, que responderia à todas as bobas perguntas.

Fechou os olhos por alguns minutos, ou horas? Ele não sabia ao certo, só sentia que caia, sem rumo, sem fim.   Ao abrir os olhos se deparou com a escuridão, a lua tomava o lugar do sol alegremente. Grande e brilhante, não tão iluminada, mas nem por isso incapaz.

Não gostava da noite, não quando estava sozinho. Sentia medo e como se sem a luz, não encontrasse o caminho. Suspirou fundo e virou o rosto para o outro lado do quarto. A porta aberta, e a luz da lâmpada que vinha do corredor invadindo seu quarto. Imitava o sol, mas nem chegava aos seus pés.

Mas não era exatamente a luz que lhe importava agora, apesar de gostar, não era o seu foco.

Encostada no batente porta encontrou sua base, de braços cruzados e um sorriso no rosto. Tinha os olhos castanhos por trás das lentes de grau. O nariz avermelhado pelo choro que guardava para si, mas ainda assim sorria por tê-lo ali.

"Está trocando o dia pela noite, mocinho?" A voz materna perguntou em um tom de brincadeira. Conseguiu arrancar um sorriso do garoto jogado na cama.

Ali, parada no batente de sua porta estava seu desfecho, o portal onde encontrava a paz. Ela poderia não conseguir lhe encontrar as respostas, mas estava ali para o confortar na hora da dúvida. Uma parte de si poderia ter partido para sempre, mas uma ainda continuava ali, e aproveitaria o máximo daquele pedacinho de alma que lhe criara.

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