28 de agosto de 2011

Esqueça a coragem.



Ela parecia em dúvida. Sufocava-se com as próprias dúvidas e até mesmo com as respostas que já sabia, mas simplesmente não as aceitava. Aceitação era algo que não fazia, e que mal fazia mais questão de ter ou ao menos conhecer tal palavra. As lágrimas simplesmente saíam de seus olhos, sem querer chorar, mas não conseguia controlar. O vazio, as malditas dúvidas, a maldita pressão.

Ela sentia como se a qualquer momento fosse quebrar, e pensava que poderia ser melhor assim. Ela queria ficar surda, nem que fosse por algumas horas, apenas para parar de ouvir o que tanto a cansava, parar de ouvir esse barulho irritante, simplesmente, dessa forma.

Os fones de ouvido não ajudavam, não eram altos o bastante, nunca seriam. Nada seria o bastante. Poderia até ser, mas parecia que nada seria bom o bastante. Bom o suficiente.

"Você não pode fracassar"

Torturantes e cortantes, palavras cruéis para alguém tão ferido. Talvez seja simplesmente drama, ou a mania irritante dela aumentar algo tão simples e torná-lo sufocante o suficiente para fazê-la se sentir péssima. 

É, talvez ela soubesse disso. É talvez ela devesse encarar o mundo de outra forma, seria o melhor à ela. Mas o mais irônico era que essa garota havia dito que não sentia mais medo. Engraçado, essa mesma garota, agora, chora por causa de medo. Medo do mundo. Medo. 

Essa garota agora chora, e não consegue erguer a cabeça. E essa mesma garota, tão dramática, com tanto medo, tão sábia dos próprios erros, tão prepotente em relação ao que sente, tão cheia de manias... agora chora, sentindo o chão partir sobre seus pés. 

Drama, é só drama. Afinal, você não pode fracassar, não é, garota? Triste pensar que essa garota sou eu. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário