27 de março de 2011

Me ouça.

Estou me sentindo em um filme, onde tudo acontece em câmera lenta. Os sentimentos tão presentes que meus olhos ficaram vazios, a dor no peito tão constante. O coração apertado e o ar escapando dos pulmões.
A melodia toca devagar e triste aos meus ouvidos, a nostalgia e as sensações tão reais e tão cruéis. Cruel? Cruel porque dói. Dói e as lágrimas chegam aos meus olhos.
Banham meus orbes escuros, lavá-los não é a solução agora. As pessoas tentam confortar, mas não há nada que você possa fazer, você sabe disso, então não tente. Quando eu falar, simplesmente pot querer falar, me deixe dizer. Me deixe desabafar tudo, me ouça calmamente, os olhos grudados aos meus... mesmo que eu esteja chorando, mas me olhe nos olhos. Não precisa sorrir, não precisa dizer palavras bonitas. Se você quiser, me abrace forte, se eu evitar, continue me abraçando. Me force. Mas me abrace. Se não quiser me abraçar... me ouça, e diga que você vai estar ali. Vai preencher, pelo menos um pouco, desse vazio que eu sinto. Desse hiato que está no meu coração. Que pesa tanto na minha mente, que corrói minha garganta, que faz meus olhos chorarem. Querido, dói.
Minha voz não sai. Rouba minha vontade de continuar, nem que seja por um segundo, mas nesse segundo... tão pequeno e insignificante para você, é onde estou completamente sem chão. É exatamente o segundo onde mais preciso de uma luz, porque, bem nesse segundo eu só enxergo escuridão.
Mostrar-me forte para os outros está me cansando, detonando a minha alma, dislacerando meu coração, rasgando meus pulmões. Não me pergunte se estou bem, não quero mentir. Nem a ti, nem para mim.
Há horas que eu estou no automático, penso mas não realmente. Faço mas não presto atenção. Mas quando me dou conta... essa dor volta. Essa falta, essa presença que me faz tanta falta. Como se aos poucos eu me desse conta... Cadê o seu sorriso? Cadê o seu abraço? Cadê o senhor me dizendo que me ama?
Eu poderia até dizer que te quero aqui, o que é a verdade, mas não posso. Não posso desejar algo tão egoísta. Você queria, algo além do nosso pensamento assoprava a sua chama, dando um ponto final na sua vida e um 'é hora de seguir em frente' para mim.
Mas deveria doer menos. Doer muito menos. Sou forte e me mostro forte. Mas há aquela fraqueza, aquele momento que você diz 'chega' e deve mostrar ao mundo que você é humano.
Humano é ter sentimentos, sentir dor, fraquejar por deixar as lágrimas de dominarem... o soluço que vem, o grito de agonia que acompanha. É muito mais complexo do que se imagina. É muito mais dolorido do que se pode descrever.

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