26 de julho de 2011

Mais uma colina.


Where are you my angel now, don't you see me crying?
(the hill - glen hansard e marketa irglova)

   Como algo clássico, que sempre parecer ser do meu jeito se pensar e ver as coisas, coloquei a culpa em mim. Na penumbra da noite, eu deitada na cama, tentando não me mover. De olhos bem abertos, eu não consigo dormir, o sono desistiu de me encontrar em plena madrugada. E eu, mais uma vez desisti de correr atrás de tal sensação. No silêncio da madrugada, a única coisa que ouço é o baixo barulho do relógio. Mal faço idéia de que horas poderia ser, só implorava para que o tempo passasse o mais rápido possível. Tem horas que a luz e o calor do sol são melhores companheiros do que a escuridão.
  Culpa, é o que eu sentia. Orei baixinho, como todas as noites eu faço. Agradeço e peço pela saúde da minha mãe, dos meus irmãos e sobrinhos, minha família. Faço porque me acalma, e tentar acalmar meu coração era a única coisa que eu realmente precisava. Mas a culpa me consumia, de onde surgiu a culpa? 
  Eu não tenho culpa de nada, mas talvez eu tenha nomeado o que eu sinto de culpa, não que seja realmente isso. Não sei dizer se é aceitação, ou se é apenas outro patamar da saudades. Será? Confesso que não dói mais, a saudades machuca, mas não fere como antes. 
  Saudades. É, dói sim. As lembranças boas doem um pouco, pela saudades, pelo fato que elas não podem mais acontecer no dia seguinte. Não vou mais poder sentir o calor, sentir o cheiro tão presente, abraçar forte e ouvir as palavras. Sabendo disso tudo, chorei em silêncio. Os olhos bem abertos, e as lágrimas caindo na fronha branca. Oro mais uma vez, pela alma de meu pai, para meu coração acalmar, para a dor da saudades cessar. Oro para meu anjo, que onde quer que esteja, está me protegendo, e é somente nisso que eu posso ter certeza agora. 
   Minha vida tem sido como descer e subir uma colina. E meus dias tem sido isso, subir e descer, colina após colina. Implorando que eu encontre a fórmula secreta da força de vontade, e se por acaso existe um tônico milagroso para tudo isso. Viver por lembranças é mais complicado do que se possa imaginar. 
   O sono me encontrou, acho que desistiu de outra pessoa e decidiu me dar mais uma chance. Dormi e acordei sem lembrar se sonhei, e reclamo por ter perdido mais uma manhã. 

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