E ai, como é que você está? Quanto tempo, não? Da última vez que eu te vi, você sorria mais... aconteceu alguma coisa? Algum parente com a saúde ruim? Algum amor não correspondido, ou partiu o coração de alguém mais uma vez? Você não sabe, não é?
Você me responde rindo um pouco, "não faço idéia". Você está distante. Seus olhos não brilham mais por que? Ou antes eles brilhavam exclusivamente pra mim? E na pior das hipóteses, alguém tirou o brilho dos seus olhos? Me diga, na mais sincera das palavras... Você tem perdido o ar por alguém? Sentindo os batimentos cardíacos se elevarem só por ouvir a voz daquela pessoa?
Só curiosidade. Porque eu te tinha tão perto à alguns meses, e agora é como se eu não te conhecesse.
Falaram-me de ti ontem. Esses boatos são verdade? Você mudou tanto assim? Fico pensando em minhas viagens aleatórias, você só fingiu se importar?
Não sei mais o que pensar exatamente sobre você. Já me falaram tantas coisas boas e ruins, que não sei mais em quais acreditar. Não se preocupe, não te tenho mais no coração à um tempo, mas da minha mente você não sai. E sempre me pergunto, sou eu? Minha aparência? Ou esses quilos a mais?
Eu penso tanto em futilidade, e sempre me parece que isso se encaixa perfeitamente à você. Isso não te incomoda? Falo isso à você e recebo um sorriso amarelo, tentando fugir da situação. Me responda! Você olha para baixo, é claro que te incomoda. Então, por que insiste?
Mas é normal. Nós, seres humanos, temos essa péssima mania de escolher o que é pior para gente, já dizia a gênia J.K Rowling. Não sei o que é pior, eu aceitar esse seu jeito de auto-mutilação, ou esperar que você venha até a mim e diga tudo o que pensa. Porque nós dois sabemos que não irá acontecer.
Não, não irá.
Você ri de mim, falando que sou boba e pessimista. Mas eu te conheço mais do que você imagina, mais do que eu deveria conhecer, para ser sincera. Me diga o que pensa? Só por um segundo? Ou dois... podemos fazer um acordo. Eu cumpro, você sabe disso.
Posso fazer uma última pergunta? Você ri de novo, falando que eu já fiz uma. Eu esqueço o acordo da última pergunta e faço mais uma. Por que você sorri pra mim assim? Você não deveria.
Você diz que tem que ir para casa estudar, e me apressa para perguntar a última pergunta. Respiro fundo, seus olhos sem brilho não olham para os meus, é até melhor assim. Tomo mais um pouco de ar, as mãos meio bambas, eu estou para perguntar isso à um tempo. Não estranhe, é uma curiosidade que me perturba às vezes. Certo, tudo bem.
Você alguma vez já me amou?

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